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26 de set. de 2012

VISÕES DE EXTRATERRESTRES


Psicólogo da USP diz que relatos de encontros com ETs não estão ligados a transtornos mentais. Agora, quer ir a um retiro ver se esses seres existem mesmo: “a ideia é estar lá na hora”

por Débora Nogueira

Editora Globo
CONTATOS IMEDIATOS: Leonardo Martins ouviu 46 voluntários que contaram suas experiências com extraterrestres
“Por 4 oportunidades, estive fora do planeta a bordo de naves alienígenas, consciente e acordado. Na primeira viagem a bordo de uma nave, fomos até a Lua. Na terceira vez, eu fui até Marte. Tive que vestir um traje espacial adequado, pois houve um pouso e caminhei lá.”

O relato de um terapeuta de uma tese de mestrado, no mínimo, curiosa. O psicólogo Leonardo Breno Martins, da USP, 34 anos, investigou como supostos contatos com alienígenas se relacionam com transtornos mentais. Quem viu óvnis ou diz ter sido abduzido se encaixa no estereótipo de maluco? Martins traçou o perfil de 46 voluntários que contam experiências com seres de outros planetas e concluiu: a maioria não sofre de alucinações nem fantasia a realidade. Então... eles estão falando a verdade? "Existe um limite até onde o conhecimento científico pode ir", diz Martins, que planeja estar em algum retiro organizado para ver ETs e "testar hipóteses mais de perto".

* Como surgiu a ideia de ver se os estereótipos de transtorno mental tinham relação com os relatos de experiências com ETs?
Martins:
 Tudo começou por eu ter nascido em Pedro Leopoldo (MG), onde ouvia relatos de situações diferentes, contados de uma forma convicta. Cresci com as histórias, e resolvi estudá-las promovendo um diálogo entre duas áreas que não conversam muito: relatos de experiências e pesquisas científicas. Meu objetivo foi testar se as pessoas que diziam ter encontrado alienígenas têm mesmo, como é o estereótipo de transtornos mentais, tendência a fantasiar, entre outras variáveis.

* Foi difícil encontrar voluntários?
Martins:
 Foi até fácil, porque tenho interesse por esse tema e, por isso, conheço muitas pessoas da área. Então, muitos passavam indicações, fui a grupos de apoio a abduzidos e clínicas holísticas. A dificuldade maior foi encontrar os abduzidos, porque alguns ufólogos tiveram certa desconfiança com meu propósito.

* Os ufólogos desconfiaram de você?
Martins:
 Eles tinham medo que a minha pesquisa tivesse a intenção de desacreditar as experiências, sendo que isso não seria científico. A pesquisa científica vai para encontrar, seja lá o que for. Pesquisas precisam estar abertas a confirmar e negar as hipóteses prévias. Quando a resposta apareceu — o estereótipo de “maluco” não se confirmou —, aí sim eles baixaram a guarda.

* Como é o grupo de apoio a abduzidos?
Martins:
 São grupos informais, muito parecidos com os de apoio a alcoólicos ou dependentes de drogas. São pessoas que têm lembranças subjetivas de contato com extraterrestres e vão para falar de suas dúvidas, angústias e para fornecer um suporte subjetivo mútuo, uma apoia a outra. Em geral, são coordenados por ufólogos ou praticantes de hipnose, que ajudam a aflorar essas memórias de abdução de cada um.

* A hipnose serve para aflorar essas memórias?
Martins:
 A hipnose tem a capacidade de extrair memórias da infância ou situações esquecidas, mas permite emergirem as fantasias, é parte do mecanismo. O problema é que você não tem como certificar o que é memória e o que é fantasia. Por isso, há muitas ressalvas. A quantidade de pessoas que relatou memórias afloradas em hipnose na minha pesquisa é bastante reduzida, foram 3 ou 4 apenas [dos 46 entrevistados].

* Como foi a pesquisa?
Martins:
 Dividi os voluntários em dois grupos. Um era de gente que contava experiências mais simples — gente que viu algo de longe, flagrou uma luzinha diferente passando, uma suposta nave aterrissada. E o outro de quem alegava ter sido abduzido ou ter tido contato amistoso com extraterrestres. Não encontrei relação direta dos relatos com transtorno mental, tendência a fantasiar ou necessidade de fugir da realidade.

* Como são essas pessoas?
Martins:
 Elas relatam experiências com um grau de convicção alto e demonstram emoções coerentes com o que estão falando. Nas partes emocionantes, elas choram. Nas partes mais tensas, têm sudorese, e a voz e as mãos ficam trêmulas. Isso confirma uma pesquisa estrangeira que relacionava memórias de abdução, reais ou não, com traumas de guerra. A reação física entre esses grupos é parecida, o que mostra que as memórias estão relacionadas a traumas. Resumindo, são bastante coerentes, tanto na convicção do que elas relatam quanto psicologicamente. O corpo reage como se acreditasse também. Têm o senso crítico preservado, sabem que essa memória não é facilmente partilhável, medem as palavras. E reagiam com tranquilidade quando eu demonstrava surpresa ou ceticismo. Algumas falavam “eu sei que é estranho, mas aconteceu”.

* Você acha que as experiências são reais?
Martins:
 Existe um limite até onde o conhecimento científico pode ir. A gente não estava lá, estamos pegando a experiência a posteriori. Primeiro se pega as explicações mais simples, que apelam para fenômenos da natureza para tentar explicar o que se observou. Se essas explicações falham, a gente avança em hipóteses cada vez mais complexas. Eu pretendo estar lá, em algum retiro que eles fazem, para ter contatos com extraterrestres, para testar hipóteses mais de perto. Mas para se chegar cientificamente à prova, precisaria ter esgotado todas as possibilidades antes.

* A verdade está lá fora?
Martins:
 Dizem que nesses retiros há contatos diretos. Nessa pesquisa, voluntários relataram visões de 10, 20 anos atrás. Agora, a ideia é estar lá na hora. Todos voltam desses lugares falando “eu vi, todo mundo viu”. Eu estando lá, o que eu vou ver? Poderei examinar o ambiente todo, as variáveis, com o olhar da psicologia. Pretendo investigar grupos no Ceará, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais, na Serra do Cipó.

*Você já viu algum óvni?
Martins:
 Eu já vi algo no céu que não soube então explicar, embora devamos lembrar que há uma distância imensa entre ver algo incomum e assegurar que isso é extraordinário. Sempre me interessei e fui a lugares onde supostamente algo estava acontecendo, mas eu era jovem, ia como curioso, conversava com as pessoas, filmava e voltava pra casa. Agora, com olhar de psicólogo, a possibilidade de analisar aumentou muito.

* E se você encontrar um?
Martins:
 Se acontecer algo de diferente nas minhas pesquisas... Acho que a ciência é a busca pelo novo. Ninguém faz ciência para repetir o que já se sabe. Eu tenho que estar preparado para encontrar o que for.
Editora Globo

Psicologia dos contatos imediatos



Pesquisa feita com voluntários que alegam ter visto óvnis ou alienígenas aponta que esse tipo de relato não está associado a transtornos mentais. Análise da personalidade dessas pessoas indica que elas são mais abertas a novas sensações e têm maior curiosidade intelectual.
Por: Mariana Rocha
Publicado em 22/05/2012 | Atualizado em 22/05/2012
Psicologia dos contatos imediatos
Os relatos de contato com seres extraterrestres são comumente classificados como alucinações. Mas, segundo pesquisa feita na USP, eles não estão associados a transtornos mentais. (imagem: Christian Frausto Bernal/ Flickr – CC BY-SA 2.0)



Naves arredondadas ou cilíndricas, luzes que atravessam o céu, contato com seres humanoides. O que parece um típico cenário de ficção científica compõe os relatos dos participantes de uma pesquisa que procura identificar a relação entre transtornos mentais e experiências com extraterrestres.
O estudo, realizado durante o mestrado do psicólogo Leonardo Martins no Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo, avaliou 46 pessoas que dizem ter tido contatocom óvnis ou alienígenas e mostrou que elas não exibem indicadores de doenças psiquiátricas.
O estudo revela que as pessoas podem se tornar psicologicamente mais saudáveis após supostas experiências de contato com óvnis
Para que o psicólogo chegasse a essa conclusão, os participantes responderam um extenso questionário capaz de identificar características de distúrbios como esquizofrenia, ansiedade e transtorno bipolar. As mesmas perguntas foram aplicadas a 46 pessoas que afirmam nunca ter tido experiências com seres extraterrestres.
Além de mostrar que os relatos dos voluntários não são fruto de alucinações causadas por transtornos mentais, o estudo revela que tais pessoas podem se tornar psicologicamente mais saudáveis após supostas experiências de abdução ou contato com óvnis.
Segundo Martins, esse tipo de experiência pode levar o protagonista a atribuir um sentido maior à própria existência e a alimentar crenças que o ajudam a enfrentar as dificuldades cotidianas, o que pode torná-lo menos suscetível a transtornos psiquiátricos. Mas o pesquisador ressalta: “Ainda assim, o evento também pode ser traumático. A reação de cada um depende de uma série de variáveis”.

Em busca do novo

Outro questionário aplicado pelo psicólogo avaliou características da personalidade de todos os participantes do estudo, como a busca por sensações, a tendência a pensamentos fantasiosos e a abertura a novas experiências.
Os resultados mostram que aqueles que relatam terem tido contato com extraterrestres são mais abertos a novas sensações, mas não têm tendência a pensar de maneira fantasiosa. Tais pessoas também têm maior curiosidade intelectual, além de gosto por desafios mentais e temas filosóficos.
Desenho de alienígena
Desenho feito por um dos participantes da pesquisa para descrever seus relatos de contato com seres extraterrestres. Segundo o voluntário, o alienígena tinha a pele grossa e vermelha e apenas um olho no meio da testa.
Associar relatos de contatos com alienígenas à ocorrência de transtornos mentais é bastante comum na sociedade. Durante a pesquisa, um voluntário falou sobre a reação negativa das pessoas quando ouviam sobre sua experiência: “A primeira coisa que você sente quando o mundo inteiro bate de frente com você é que você é louco. Diante das experiências que vivenciei, se tivessem me perguntado se eu queria, eu não teria querido, porque eu queria ser uma pessoa comum, normal”.
Martins revela que a maioria dos participantes, apesar de ter sua sanidade questionada, não buscou ajuda de profissionais da saúde. “Eles não tiveram motivos para procurar ajuda, pois levam uma vida normal.”
O psicólogo ressalta que a pesquisa não busca comprovar a existência de vida fora da Terra, mas entender a organização psicológica de pessoas que alegam contatos comsupostos seres de outros planetas. “Mesmo que visitas de alienígenas sejam, a princípio, possíveis, ainda é preciso considerar a possibilidade de que as experiências possuam explicações terrenas.”

Mariana Rocha

25 de set. de 2012

Primeiro planeta parecido com a Terra é encontrato: Kepler 22-b

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Cientistas confirmaram a existência de um planeta semelhante a Terra na “zona habitável” em torno de sua estrela mãe.
Kepler 22-b encontra-se cerca de 600 anos-luz de distância e tem cerca de 2,4 vezes o tamanho da Terra, com uma temperatura de cerca de 22 graus Celsius.
Kepler 22-b está 15% mais perto de seu sol do que a Terra está do nosso sol, e seu ano dura cerca de 290 dias. No entanto, a estrela do planeta anfitrião tem cerca de 25% menos luz, mantendo a temperatura do planeta amena o suficiente para apoiar a existência de água líquida.
Até agora, esse é o planeta mais próximo parecido com o nosso – uma “Terra 2.0″. O que os astrônomos ainda não sabem, no entanto, é se Kepler 22-b é feito principalmente de gás, rocha ou líquidos.
Kepler 22-b era um dos 54 candidatos a exoplanetas em zonas habitáveis relatados pela equipe de Kepler em fevereiro, e é apenas o primeiro a ser formalmente confirmado usando outros telescópios.
Mais “Terras 2.0″ podem ser confirmadas no futuro, apesar de que uma redefinição dos limites da zona habitável trouxe o número de 54 para 48. 10 deles são do tamanho da Terra.
Durante a conferência em que esse resultado foi anunciado, a equipe de Kepler também disse que avistou 1.094 novos candidatos a planetas. O número total de candidatos encontrados pelo telescópio está agora em 2.326 – dos quais 207 são aproximadamente do tamanho da Terra.
Os resultados sugerem que os planetas que vão desde o tamanho da Terra a cerca de quatro vezes o tamanho da Terra – os chamados “super Terras” – podem ser mais comuns do que se pensava.
O telescópio espacial Kepler foi projetado para olhar para uma faixa fixa do céu, para cerca de 150.000 estrelas. O telescópio é sensível o suficiente para ver quando um planeta passa na frente de sua estrela-mãe, escurecendo um pouco a luz da estrela.
Kepler identifica essas pequenas mudanças na luz das estrelas como candidatos a planetas, que são depois confirmados por observações de outros telescópios em órbita e na Terra.
Conforme os candidatos a planetas semelhantes à Terra são confirmados, a Busca por Inteligência Extraterrestre (Seti, na sigla em inglês) tem um foco mais estreito para sua caça.
“Esta é uma oportunidade excelente para observações”, disse Jill Tarter, do Seti. “Pela primeira vez, podemos apontar nossos telescópios para as estrelas sabendo que elas realmente hospedam sistemas planetários – incluindo pelo menos um que se aproxima da Terra na zona habitável em torno de sua estrela mãe”, completa.[BBC)